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June 2016

    PEDIR AJUDA CUSTA MAIS DO QUE LAVAR TONELADAS DE ROUPA

    Mini-férias. Muitas malas para lá. (Os maridos nunca percebem porque levamos tantas coisas mas acabam sempre por perguntar “Trouxeste o meu qualquer coisa que gostava de ter trazido e não me lembrei porque demoro 5 minutos a fazer a minha mini mala minimalista?” )

    Muitas malas para cá…muita roupa suja para cá.

    O meu nível de vulnerabilidade nestes momentos é proporcional à quantidade de roupa suja que invade a minha cozinha. Nesse momento intenso, o pai catita passa por mim sorridente e eu digo num tom pouco sorridente acompanhado de faíscas a sair dos olhos “Está a correr-te bem o dia, não? Não deves ter nada para fazer. ARGHHHHHHH”. Comunicação pouco consciente e um nadinha de violenta que certamente vai despoletar do outro lado uma resposta igualmente “simpática”.

    Mas o que estava escondido no meu comentário ácido? Que necessidade em falta é que eu queria comunicar? Talvez um “Estou mesmo cansada e sinto-me um pouco desamparada nesta tarefa hercúlea de lavar a roupa, será que me podes ajudar?” Qual das duas acham que vai ter uma maior cooperação e compreensão do pai catita?

    É difícil pedir mesmo o que precisamos. Esperamos e achamos que todos deviam saber o que estamos a pedir sem ter pedido. Sai a esforço. Por cima da necessidade original acumulam-se tantos pensamentos, julgamentos e uma grande carga emocional que perdemos a ligação com a necessidade base não preenchida. Quando a encontramos custa dizer “estou a precisar de ajuda”. Bolas se custa. Mas se eu não sei pedir o que preciso realmente, como posso ensinar o meu filho a fazê-lo? E se nos custa tanto a nós essa vulnerabilidade, imagina o quanto custa ao teu filho dizer mesmo o que ele precisa. Talvez em vez de comentários com humor inglês ele use um comportamento mais desafiante para o comunicar. Talvez ele não tenha outras ferramentas para além do comportamento para comunicar tudo o que vai lá dentro. Toda a turbulência, o desnorteio e a enxurrada de emoções que o deixam assoberbado. Talvez ele só te esteja a dizer à sua maneira “Estou mesmo a precisar de ajuda para arrumar isto tudo cá dentro.”

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    OS ACIDENTES ACONTECEM NA NATUREZA

    Quando deixo cair uma coisa e ela parte, posso: 1- ficar a olhar para o que aconteceu e culpar-me durante horas e contar aos amigos e culpar-me outra vez; 2 – posso apanhar os cacos (ou tirar uma foto artística para o instagram); 3 – posso tentar culpar outra pessoa pelo que aconteceu (pode demorar mas de certeza que consigo encontrar alguém); 4 – tentar avaliar todas as condicionantes que levaram ao sucedido numa tentativa vã de controlar o próximo; 5 – posso aceitar que as coisas acontecem porque acontecem.

    PUMBA! CATRAPÁZ! PIMBA! O mealheiro do Capitão Polo Polar espatifou-se.

    Quando o meu filho deixa cair uma coisa e ela parte… fica a olhar para mim. Parado e de olhar frágil, fica à espera da minha reação para ter a dele. São apenas alguns segundos em que um dique segura tudo o que vai dentro dele.

    O mealheiro ficou em pedacinhos, aconteceu.

    Depois de respirar profundamente umas quantas vezes, tenho uma excelente oportunidade para ensinar ao meu filho uma consequência natural que dá sempre jeito: cai, é frágil, parte-se. Tenho uma oportunidade para reconhecer os sentimentos que ele tem nesse momento ajudando-o a lidar com eles (aumentando a conexão e fomentando a autoestima) e estou na ocasião certa para deixá-lo encontrar sozinho uma solução, por exemplo fazer tarefas em casa para comprar um novo.

    Importante, mesmo importante, naquele momento é ajudá-lo a ter jogo de cintura para os reveses da vida. Para quando nos acontecem coisas menos boas que nos apanham de surpresa e aparecem sei lá de onde, conseguirmos não responder com ansiedade ou reatividade emocional mas com presença e aceitação. Aceitá-las como pontos de partida e não destinos fatídicos.

    Desde pequenino que lhe digo “os acidentes acontecem na natureza”. Na natureza tudo nasce e cai, floresce e desaparece. Flui e simplesmente é. Quando repetia a frase ao meu filho, toneladas saíam por magia daqueles olhos enquanto ele se levantava e tentava novamente. De cada vez a frase fazia mais sentido e tornava-se mais sua. Dava-lhe força e ajudava-o a levantar-se sem culpa, sem carrego.

    No outro dia parti uma coisa, gostava muito dela e ainda estava perdida entre o ponto 1 e 4. Ele veio devagar, colocou os braços à minha volta e disse Mamã, os acidentes acontecem na natureza”... e pelo caminho ele aprendeu também o que é a empatia.

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    AS BRINKADËIRAS NÃO DEVEM TER INSTRUÇÕES DO IKEA

    “Quando ensina algo a uma criança, tira-lhe para sempre a possibilidade de o descobrir por si própria” Jean Piaget

    Nunca gostei de ler instruções. Ainda hoje quando compro um gadget qualquer uso a técnica “Catita”: carregar em tudo até descobrir como funciona. Aprendo rapidamente, descubro coisas para além das instruções e nunca mais me esqueço. De tempos a tempos apanho com um “antes de iniciar o aparelho ligue-o 2 horas à corrente para não ficar permanentemente danificado”. Ups.

    Tirando os brinquedos que podem causar alterações planetárias ou no clima mundial, os brinquedos não devem ter instruções parentais. Devem ser uma descoberta, uma oportunidade de expandir a imaginação. Além de que eles provavelmente percebem muito mais do assunto do que nós. Não há uma maneira certa ou errada de brincar. Um carrinho pode ser um submarino ou uma nave espacial. E pintar dentro dos contornos não devia ser a atividade preferida do Dali. Em vez de os ensinarmos a brincar com as coisas, que tal aprendermos com eles a brincar?

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    COMO AFOGAR O MULTITASKING

    Tenho alguma dificuldade em não fazer nada. Talvez porque o multitasking tornou-se uma modernice esperada de uma mãe trabalhadora e porque nós achamos que conseguimos fazer tudo. É uma espécie de mola interna, POING lá estou eu a saltar para fazer o jantar. POING faço a lista das compras, POING vejo o mail, POING respondo ao pequeno catita e ainda digo ao pai catita POING onde está a camisola cor de laranja. Ufa. Quando estou com os braços enrolados com tanto malabarismo lá me decido pelo unitasking durante uns 5 minutos.

    De fora pode parecer um superpoder, por dentro é só uma grande dispersão de energia e atenção. Se estivermos plenamente focados no momento, todo o nosso corpo e cérebro estão ali. É quase uma meditação, uma presença plena, constante e serena. Ali, surge uma confiança no que estamos a fazer e em quem nós somos. Ali, somos apenas o que somos. Sem pensar no que aconteceu antes nem no que vem depois.

    Os miúdos dominam esta técnica ancestral e estão sempre prontos a trazer-nos de volta ao momento presente com as ferramentas que mais estão à mão.

    19H07, o pequeno catita está no banho. Tenho milhões de coisas para fazer. Já preparada para um enorme e épico multitasking, em vez de um POING levei com um SPLASH na cara. Encharcada como uma esponja do mar e sem pensar, larguei os taskings e dei início ao épico e unitasking BANHO DE FAMÍLIAAAAAAA! SPLASH SPLASH SPLASH SPLASH

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