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June 2016

    JANTAR COM OS PAIS É CHATO

    O meu filho prefere jantar com a Patrulha Pata a jantar comigo.

    Eu não salvo o dia, não tenho um camião dos bombeiros nem sou acompanhada por uma banda sonora cada vez que faço qualquer coisa de importante. Mas gostava. Já me estou a imaginar a entrar na zona dos frescos e comprar aquele último ramalhete de espinafres tal super mãe em ação… TANANANAN!

     

    Mas como é que torno a refeição comigo mais catita? Hum?!

    É preciso estar 100% presente e ser muito curiosa em relação ao teu filho, só isso. É como num primeiro encontro quando queremos saber tudo, perguntar tudo, descobrir tudo sobre essa pessoa. É esse entusiasmo, essa disponibilidade total.

    Sabes uma coisa mesmo importante? O teu filho adora-te e quer sempre um momento de conexão contigo só tens de querer o mesmo.
    Olhei para ele aborrecido do outro lado da mesa, levei a colher da sopa junto à boca e disse entusiasmada:

    “Boa noite caros telespectadores, estamos aqui hoje para entrevistar um miúdo muito catita. Olá, estás a gostar de estar aqui?”

    “Simmmmm!”

    “E conta lá, qual foi a coisa mais absolutamente catita que te aconteceu hoje?”

    “Eu sei! Eu sei! Jantar com a mãe e o pai!” 

    TANANANAN!!!

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    A EMPATIA É BEM MELHOR QUE UMA SANDES DE QUEIJO

    https://www.youtube.com/watch?v=1Evwgu369Jw&nohtml5=False

    Ele está triste, mesmo triste. Eu só quero que passe. Tento tudo porque dói que se farta ouvi-lo chorar. Às vezes tento distraí-lo fazendo malabarismos variados e figuras que espero nunca irem parar à net. Pode até sair-me um “Já passou, está tudo bem” ou um “Queres uma sandes de queijo?”. Apesar de doloroso para os pais verem o seu filho em tamanha ebulição emocional, estamos na verdade perante uma oportunidade única de conexão com os nossos filhos.

    E o que temos de fazer? Nada. Estar inteira, só ali, naquele sítio escuro com eles.

    Ouvir, aceitar, empatizar e mostrar que ter qualquer uma das emoções é natural, as “boas” e as “más”. É tão importante estar triste como estar feliz. E quando estamos tristes temos de respeitar esse sentimento com o mesmo respeito que respeitamos uma grande alegria. Faz tudo parte da nossa humanidade e é assim que aprendemos sobre nós e sobre os outros. Se eu não aceito a minha tristeza, como posso aceitar essa parte de mim? Se a minha mãe não aceita quando estou triste ou zangado como pode gostar dessa parte de mim? É por isso que este momento de vulnerabilidade é especial e permite aceder de uma forma única ao nosso filho e a nós.

    “Estás triste? Eu também fico triste muitas vezes. Posso sentar-me ao pé de ti?” é tão mais poderoso que uma sandes de queijo.

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    MAPA DE NAVEGAÇÃO PARA PAIS

    Como mãe tenho muitas vezes o momento “e agora o que é que eu faço?”. Surge repentinamente sem avisar e sem deixar muito tempo para pensar sobre o assunto.
    Os momentos “e agora o que é que eu faço” surgem quando o nosso filho tem uma birra do tamanho do Pavilhão Atlântico, quando chegamos à cozinha e temos uma instalação moderníssima de farinha e outros ingredientes, biológicos claro, espalhados pelo chão, ou quando simplesmente no dia a dia nos sentimos perdidos.

    Na parentalidade consciente, existe uma espécie de mapa que é a nossa base de trabalho enquanto pais e que é definido por cada um: as nossas intenções como pais.

    Podemos olhar para as intenções de dois pontos de vista distintos, em relação a nós mesmos (como pais) ou em relação aos nossos filhos, sendo que esta última pode facilmente transformar-se em expectativas.

    Porquê intenções e não objectivos? Os objectivos colocam o foco numa meta que pode ser alcançada ou não, a intenção foca no caminho e na aprendizagem, é um processo fluído e constante. Sempre que saímos do caminho podemos voltar a ele relembrando as nossas intenções. É um lembrete do tipo de pais que queremos ser. Se eu sei que tipo de mãe quero ser, consigo definir as minhas ações muito mais facilmente, não só a curto mas a longo prazo. E, em cada momento em vez do “e agora o que é que eu faço?” pergunto “isto está alinhado com as minhas intenções enquanto mãe?”

    Mas como é que eu escrevo as minhas intenções? Num momento tranquilo, pegue numa caneta e pense “como gostaria que o meu filho me descrevesse em adulto? Que qualidades, valores e características gostaria de passar ao meu filho? Como gostaria que fosse a nossa relação? Como quero que seja a minha família? Como posso ajudar o meu filho a ser feliz?”

    Uma das minhas intenções como mãe é aceitar o meu filho completamente e receber com igual amor os momentos bons e os mais desafiantes.

    E aí desse lado, quais são as suas intenções?

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