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A VIDA SECRETA DO COMPORTAMENTO

Primeira ida ao cinema do pequeno catita Tcham Tcham Tcham: “A Vida Secreta dos Bichos”…

“Já chegámos? Falta muito? Vai começar quando? Temos de esperar pelas pessoas todas? Mas mãe, quantos minutos faltam exactamente para começar? As pessoas vão todas ver o filme? Vai ficar escuro porquê? Lá em casa vemos televisão com luz. A luz estragou-se?” Fui atacada por uma metralhadora pré-escolar de perguntas variadas.

Começou o filme, o ecrã era tão grande que o catitinha não sabia onde ele acabava e o filme começava. Estava mesmo lá dentro, no meio da bicharada. Tapava os olhos nas cenas mais assustadoras (em casa costuma fugir para a cozinha) e apertava a mão do pai nas mais emocionantes.

O filme é repleto de acção, humor, muitos animais, heróis improváveis e vilões ainda mais improváveis: um coelhinho mais que fofinho com olhos de gato das botas mas com um comportamento de diabo da Tasmânia. Tal como com uma criança se olharmos para lá do comportamento, que é só uma forma pouco óbvia de comunicar o que se passa dentro dela, descobrimos que há uma necessidade emocional não preenchida. Neste caso, um grande abandono, uma falta de reconhecimento e conexão. Colo, o coelhinho levado da breca precisava de muito colo. Mas quem olha para ele mais depressa o leva a ver todas as temporadas da Guerra dos Tronos do que lhe dá umas festinhas nas orelhas, o que aumenta ainda mais a necessidade e agrava ainda mais o comportamento. É nestes momentos que é preciso mudar o nosso comportamento em relação ao comportamento deles. Principalmente se fôr bem difícil fazê-lo. Da próxima vez que o teu filho estiver um coelhinho pouco fofinho tenta perceber do que ele está mesmo a precisar e qual a necessidade que ele secretamente esconde no seu olhar feroz.

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