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OS NEURÓNIOS SÃO UNS MACAQUINHOS DE IMITAÇÃO

“Temos de ser o exemplo para os nossos filhos.”. “Eles aprendem com as nossas atitudes e respostas perante os desafios da vida.” “Sê o exemplo que queres ver no mundo”. Será que isso é mesmo assim? Ou é uma modernice hippie zen?

Estou a fazer um curso sobre a Felicidade com Universidade de Berkeley e, meus amigos, há provas científicas. Agora quando estiverem a ser o exemplo para os vossos filhos sintam-se apoiados pela ciência. Está provado que temos uma capacidade inata de imitar os gestos e as expressões dos outros. Um mecanismo de mímica que nos permite aprender e compreender o que o outro está a fazer e a sentir. Quando observamos medo no outro, sentimos medo. Quando entramos numa sala onde todos riem à gargalhada, a gargalhada nasce dentro de nós. Ou seja, o corpo acompanha o processo do que está a acontecer à frente dele. Temos uma capacidade básica e biológica de simular, sentir e experienciar o que vemos nos outros.

A nível neurológico, descobriram que quando vemos alguém a executar uma tarefa, os nossos neurónios motores e pré-motores são ativados como se estivéssemos realmente a fazer a tarefa e não apenas a ver. Fantástico, não? Será que também queimo calorias ao ver alguém fazer desporto intenso à minha frente? Hum…

Mas então como posso trazer tudo isto para o meu dia a dia com os meus filhos? Este conhecimento pode trazer-te uma nova consciência para o que fazes e como o fazes. Uma nova consciência para como estão o teu corpo, as tuas emoções e expressões faciais quando falas com o teu filho e com os outros.

Será que quando o teu filho está mesmo irritado, literalmente a deitar fumo pelas orelhas isso tem tendência para despertar o mesmo em ti? Será que os teus neurónios estão todos focados em fazer uma birra maior do que a dele? Quando estamos presos neste loop de imitação, precisamos de um momento AHA! É só uma pausa de microssegundos em que percebo “Mas que raio estou eu a fazer?”. Lembra-te que o teu filho ainda não consegue fazer esta pausa. Ele está em combustão e não tem maturidade emocional para sair do modo vulcão. Mas tu tens. Podes ajudá-lo a canalizar toda aquela energia para outro sítio de modo a mais tarde, quando a explosão tiver passado completamente, conseguires falar com ele sobre a situação que gerou tudo aquilo e ele conseguir ouvir-te e ouvir-se.

Dizer “Tem calma!” deve ser a coisa mais ineficaz e irritante que se pode dizer a alguém que está passada dos carretos. Eu tenho um truque: uso a técnica canguru. Quando estamos mesmo zangados saltamos como um canguru por mais ou menos uns 5 minutos. Começo eu e, os neurónios do pequeno catita não tardam a acompanhar-me. Gradualmente, salto a salto, a zanga dá lugar à alegria. Usamos a energia para saltar em vez de saltarmos para o pescoço um do outro.

Quando começas a arrumar, os neurónios do teu filho querem arrumar contigo. Quando estás a ouvir, os neurónios do teu filho aprendem a ouvir. Quando estás a acarinhar, os neurónios dele aprendem o carinho. Cada vez que estiveres a dar o exemplo ao teu filho tens os neurónios dele na tua equipa. Por isso, sê o exemplo que queres ver crescer e aproveita para crescer pelo caminho.

Escrito originalmente pela Mãe Catita para a UptoKids.
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1 Comment

  • Reply Sónia Barreto

    Gosto muito destes seus textos. Ajuda-me nesta missão que é a educação de um filho. Coloco.lhe a seguinte questão: como ensinar a um bébé de um ano a não mexer em determinada coisa, em não fazer determinada coisa porque, ou não se faz, ou é perigoso para ele? O meu filho está naquela fase em que grita por tudo, porque não se quer vestir/despir, não quer comer a sopa, não quer mudar a fralda…grita grita grita. Outra coisa que ele faz que, verdade seja dita, está a assustar-me porque não sei se o faz apenas porque descobriu e achou graça se está por detrás dessa acção algo mais profundo: usa o dedinho para provocar o vómito. Fá-lo e depois faz aquela reação de vómito e depois ri-se. Já lhe disse várias vezes Não, mas tento logo desviar a sua atenção para outra coisa. Não queria utilizar muito a palavra Não mas também não queria ser permissiva ao ponto de o deixar fazer tudo. Queria saber impôr-lhe regras sem ditaduras e Nãos na boca. Como educar um bébé? Tarefa deveras difícil.

    Obrigada.
    Sónia Barreto

    October 12, 2016 at 11:25 am
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