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QUANDO DO NADA ELES DIZEM TUDO

Se há coisa que desafia a força de vontade de uma mãe, é levar os pequenos à natação. TODAS as semanas.
Voar do trabalho para chegar a horas com mudas de roupa, chinelos, toucas, óculos e comida pós-piscina reforçada na mochila. Aterrar num ambiente tropical que limpa todos os poros, e nos cozinha lentamente a vapor (quem usa óculos deve ser ainda mais divertido).
As mangas encharcadas enquanto tentamos ajustar a temperatura da água do duche. Ou, se os balneários têm temporizador, enquanto carregamos de 5 em 5 minutos na torneira tornando TUDO mais emocionante. Os nossos sapatos com as clássicas proteções azuis, estilo Anatomia de Grey, sempre à mercê de uma duchada mais forte.
Mas, a maravilha de os ver aprender a nadar, a partir do nada, desperta o sorriso de qualquer mãe transpirada.
O pequeno catita está aprender a nadar. Depois de treinar separadamente os braços e as pernas de crawl, chegou o dia de os juntar. Reparei como estava a ser um desafio para ele, como às vezes abrandava para tentar coordenar tudo. Como estava cansado. Notei como estava a dar o seu melhor, como em cada pista que fazia, evoluía mais um bocadinho. Reparei como cada vez que fazia uma volta, saía da água com um sorriso enorme na cara.
O que eu estava a ver, estava a ser comentado pela professora de forma diferente “Asneira! Estás distraído! Concentra-te! És muito distraído!” , “Olha para os teus colegas!”.
No meio daquele bafo tropical, do desconforto e cansaço, é mais fácil sentirmo-nos reactivos, críticos e pouco tolerantes. Os comentários aumentavam, grau a grau, a minha temperatura interna.
Quando a aula acabou, como sempre, falei com o pequeno catita do que notei que ele tinha conquistado, e como parecia feliz e realizado. Perguntei-lhe, também, como se tinha sentido perante os comentários e rótulos atirados pela professora entre braçadas. “Mãe, as pessoas não são perfeitas. Há coisas que conseguem fazer melhor… a professora explica bem os exercícios. Há coisas que ela ainda tem de aprender. “
Quando os pais se questionam “Como é que eu sei que estou a fazer um bom trabalho?”. Confia, dá tempo e vais ver. Quando menos esperares, do nada, o teu pequeno catita vai surpreender.

 

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