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Intenções

    JANTAR COM OS PAIS É CHATO

    O meu filho prefere jantar com a Patrulha Pata a jantar comigo.

    Eu não salvo o dia, não tenho um camião dos bombeiros nem sou acompanhada por uma banda sonora cada vez que faço qualquer coisa de importante. Mas gostava. Já me estou a imaginar a entrar na zona dos frescos e comprar aquele último ramalhete de espinafres tal super mãe em ação… TANANANAN!

     

    Mas como é que torno a refeição comigo mais catita? Hum?!

    É preciso estar 100% presente e ser muito curiosa em relação ao teu filho, só isso. É como num primeiro encontro quando queremos saber tudo, perguntar tudo, descobrir tudo sobre essa pessoa. É esse entusiasmo, essa disponibilidade total.

    Sabes uma coisa mesmo importante? O teu filho adora-te e quer sempre um momento de conexão contigo só tens de querer o mesmo.
    Olhei para ele aborrecido do outro lado da mesa, levei a colher da sopa junto à boca e disse entusiasmada:

    “Boa noite caros telespectadores, estamos aqui hoje para entrevistar um miúdo muito catita. Olá, estás a gostar de estar aqui?”

    “Simmmmm!”

    “E conta lá, qual foi a coisa mais absolutamente catita que te aconteceu hoje?”

    “Eu sei! Eu sei! Jantar com a mãe e o pai!” 

    TANANANAN!!!

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    MAPA DE NAVEGAÇÃO PARA PAIS

    Como mãe tenho muitas vezes o momento “e agora o que é que eu faço?”. Surge repentinamente sem avisar e sem deixar muito tempo para pensar sobre o assunto.
    Os momentos “e agora o que é que eu faço” surgem quando o nosso filho tem uma birra do tamanho do Pavilhão Atlântico, quando chegamos à cozinha e temos uma instalação moderníssima de farinha e outros ingredientes, biológicos claro, espalhados pelo chão, ou quando simplesmente no dia a dia nos sentimos perdidos.

    Na parentalidade consciente, existe uma espécie de mapa que é a nossa base de trabalho enquanto pais e que é definido por cada um: as nossas intenções como pais.

    Podemos olhar para as intenções de dois pontos de vista distintos, em relação a nós mesmos (como pais) ou em relação aos nossos filhos, sendo que esta última pode facilmente transformar-se em expectativas.

    Porquê intenções e não objectivos? Os objectivos colocam o foco numa meta que pode ser alcançada ou não, a intenção foca no caminho e na aprendizagem, é um processo fluído e constante. Sempre que saímos do caminho podemos voltar a ele relembrando as nossas intenções. É um lembrete do tipo de pais que queremos ser. Se eu sei que tipo de mãe quero ser, consigo definir as minhas ações muito mais facilmente, não só a curto mas a longo prazo. E, em cada momento em vez do “e agora o que é que eu faço?” pergunto “isto está alinhado com as minhas intenções enquanto mãe?”

    Mas como é que eu escrevo as minhas intenções? Num momento tranquilo, pegue numa caneta e pense “como gostaria que o meu filho me descrevesse em adulto? Que qualidades, valores e características gostaria de passar ao meu filho? Como gostaria que fosse a nossa relação? Como quero que seja a minha família? Como posso ajudar o meu filho a ser feliz?”

    Uma das minhas intenções como mãe é aceitar o meu filho completamente e receber com igual amor os momentos bons e os mais desafiantes.

    E aí desse lado, quais são as suas intenções?

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