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Presença Plena

    O PRESENTE DE ESTAR PRESENTE

    Hoje o meu telefone tocou umas 25 vezes. Já que ele tem tendência para tocar muito, decidi há uns dias usá-lo como “alarme” de exercício. Cada vez que ele toca, aproveito e faço no mínimo 5 agachamentos antes de atender. Tirando, claro, quando estou a conduzir que poderia ser levemente estranho. Por isso demoro a atender, os meus glúteos estão em estágio para o Natal.

    Tudo isto começou ao dar por mim a pensar que existem imensas coisas que faço em modo automático. Nos caminhos que faço muitas vezes, nem percebo muito bem como cheguei ao destino. Nas tarefas diárias… nem reparo quando estou a dobrar a meia número 56. No supermercado vou só comprar um cachinho de bananas da Madeira quando magicamente tenho o carrinho cheio. O que se passou no meio? Por onde andava eu? Onde estava o meu corpo? Ao fazer agachamentos sei onde ele está, principalmente quando o telefone já tocou uma série de vezes. Estou focada no meu corpo e na minha respiração.

    Para contrariar esta tendência humana de estar em todo lado menos onde está, decidi começar a olhar para tudo com mais presença. Estar mais aqui e olhar MESMO para as coisas e as pessoas. Ir com atenção pelos caminhos que já fiz, vezes sem conta, e prestar atenção aos pormenores. Saborear todas as garfadas que meto à boca e, não perder uma oportunidade de olhar o meu filho bem nos olhos quando ele fala comigo.

    Curiosamente em vez de perder tempo, ganho tempo. A vida fica quieta quando reparamos nela. Os nossos filhos brilham quando se sentem vistos. Tudo ganha mais sabor, mais cor e mais sentido quando desligamos a ficha e o Wi-Fi.

    Sabes, os nossos filhos são profissionais do “estar cá” porque é o único sítio onde eles estão. Não a ruminar no passado nem a antecipar um futuro qualquer. Quando eles estão a espalhar espuma pela casa de banho estão a fazê-lo com uma GRANDE entrega. Quando estão zangados, vai dos dedos dos pés bem até à pontinha dos cabelos. E, quando eles mostram o quanto gostam de nós…bem, é como se todas as luzes se acendessem ao mesmo tempo num ecrã gigantesco em Tóquio; não dá para ignorar nem para não ficar com um sorriso de desenho animado.

    É esse sorriso que te desejo. Esse olhar “uauuu” sempre presente no teu filho. Para isso, só tens de imprimir, recortar os quadradinhos da imagem que está neste post e usá-los a gosto. Aproveita e espalha por aí, o mundo está mesmo a precisar da nossa presença. E o teu filho está ali, à espera do maior presente de sempre: Tu.

     

    Artigo escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids

     

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    O MANUAL DE INSTRUÇÕES DO TEU FILHO

    Sabes, também eu tenho dúvidas. Também eu me sinto sem forças, sem energia e sem paciência. Sabes, tudo isso é óptimo. São esses desafios, esses tropeções que me fazem ler mais, ouvir mais e abrir-me mais para o que o meu filho tem para me ensinar.

    A Parentalidade não é uma ciência exata. É um caminho que fazemos com os nossos filhos e, um caminho que fazemos para dentro de nós. Enquanto os ajudamos a crescer com o seu potencial único, descobrimos o nosso. Enquanto eles sofrem dores de crescimento, também nós temos as nossas. Caminhamos lado a lado e muitas vezes são eles que têm as respostas para as nossas perguntas mais profundas.

    Sabes, tu tens o manual de instruções já contigo. É o teu filho que está mesmo aí. Ele vai dizer-te tudo o que precisas de saber sobre ele. Ele vai mostrar-te através do seu comportamento o que ele não consegue comunicar de outra forma. Ele vai ensinar-te muito. Sobre ti e sobre ele. Sobre a tua força e a tua doçura. Sobre a tua resistência e sobre a tua flexibilidade. Sobre o coração dele e sobre o tamanho imenso do teu.

    Tu sabes muito mais do que pensas. Mas essa informação não está na tua cabeça, está mais abaixo… no teu coração. Mas como chego lá? Larga esses pensamentos e essas dúvidas de que não fazes o suficiente. De que ele não come a sopa toda ou que não se deita às 20h37. Larga o que diz o amigo, a vizinha do lado ou a educadora da escola. Larga as comparações com outras crianças que já sabem 3 línguas e fazem o pino enquanto tocam piano. Larga tudo isso e olha para ele. Mas olha mesmo, fundo nos seus olhos e descobre lá tudo o que precisas de saber.

    Artigo escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids
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    O GENEROSO MIÚDO QUE NÃO SABIA PARTILHAR

    No fim da rua da casa dos meus pais existem arbustos e arbustos de amoras deliciosas. Todos os verões descemos a rua e vamos apanhá-las. É um ritual catita e delicioso. O pequeno catita A-D-O-R-A amoras! Adora mais do que o seu brinquedo preferido. Adora mais do que comer gelados de morango ou brincar com os carros da Patrulha Pata. As amoras são um assunto muito delicado para ele. Mesmo.
    Certo dia, desceu a rua com os meus pais sorridente a caminho das amoras e subiu a rua a chorar e zangado ao melhor estilo de manga japonesa, com gotas enormes a sair dos olhos.
    A avó explicava: “Ele não sabe partilhar. Não pode ser assim. Temos de dividir o que temos por todos.”
    Nestes casos bicudos, tenho uma técnica para tentar perceber o que o pequeno catita pode estar a sentir: finjo que estão a falar comigo em russo (que não percebo uma única palavra) e tento perceber o que sinto. Ora bem, sou pequenina, tenho 5 anos e um saquinho de amoras na mão. Chega a avó e diz “natrivuska patrtilhintis trimiii amokris” e tira-me “as MINHAS” amoras. Ou seja, partilhar é tirar as coisas dos outros, certo?
    Fui falar com o pequeno catita. “Podemos falar?” (sentei-me ao lado dele com o olhar à mesma altura do dele) “Hum, estás mesmo triste, o que aconteceu?”
    “As amoras são deliciosas, por isso são só para mim. Não quero dar a ninguém. São minhas. Só minhas!” 

    Partilhar aprende-se, como se aprende a nadar. Temos de ir devagarinho, respeitar os nossos tempos e arriscar fora da nossa zona de conforto cada dia mais um bocadinho. Acima de tudo, temos de confiar no que sentimos. Partilhar deve ser de coração e não uma atitude para agradar os outros e sermos “meninos bonzinhos”. Deve ser algo que nos preenche e não que nos tira alguma coisa e implica sofrimento ao nível de arrancar um dente.
    Partilhar é importante, trabalha a nossa confiança na vida, na abundância de tudo o que nos rodeia. Trabalha o desapego pelas coisas materiais que é muito importante na nossa felicidade. E, ainda por cima faz bem à saúde como já comprovaram vários estudos.
    O pequeno catita não sabia o que era partilhar. Não tinha ainda presente esse conceito. O que não era bom nem mau, apenas era assim. Pensei um pouco sobre o que é “partilhar” e cheguei à conclusão que nós como adultos na verdade não partilhamos grande coisa. Pelo contrário, a maior parte das pessoas passa o dia cheio de “minhas” e “meus”. É um pouco estranho exigirmos isso dos nossos filhos, não? E a forma como o fazemos ao chegar ao pé deles exigindo que partilhem algo que lhes pertence? Como te sentirias se chegasse alguém ao pé de ti enquanto estavas a entrar no teu carro exigindo com uma voz zangada: “Dá cá as chaves! Tens de partilhar! Empresta já o teu carro a esta pessoa que não conheces de lado nenhum! És mesmo egoísta.”
    A melhor forma de ensinar a partilhar é partilhar. É ser o exemplo, é viver com generosidade. Respeitar a criança e dar-lhe tempo para ela não identificar as coisas como parte “dela” mas como apenas coisas. É inspirar o nosso filho a ser generoso com a nossa generosidade.

    Comecei por lhe mostrar como em certas situações dividir é maravilhoso. Cá em casa temos a tradição do “iogurte pai-filho” , um iogurte XL que o pai e o filho catita dividem alegremente à colherada. Mostrei-lhe que se fosse apenas o “iogurte filho-filho”, não teria metade da piada.
    E nas festas de anos? Se o bolo e a festa fossem só para ele não teria graça nenhuma. Comia mais bolo mas não tinha ninguém para partilhar a alegria.
    Um dia, enquanto comia o seu gelado-mais-que-especial naturalmente deu-me uma colherzinha para eu provar. Começou aos poucos a dar-me uma amora ou outra e a dividir as suas coisas preferidas sem ninguém lhe pedir. Inventou também o “pão-com-manteiga-avô-neto” para lanches especiais.
    No outro dia disse-me: “Mamã, já sei o que é partilhar… é quando o coração fica grande.”
    Foi assim, amora a amora que o generoso miúdo aprendeu a partilhar.

     

    Escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids.

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    COMO PERGUNTAR COMO FOI A ESCOLA E NÃO LEVAR COM UMA RESPOSTA MONOSSILÁBICA

    A escola vai começar. Para além de um regresso à rotina, regressa a pergunta diária: “Então, como foi a escola?”.  Sempre seguida da resposta curta e nada esclarecedora, comparada com o discurso pormenorizado e altamente descritivo que estávamos à espera.
    Esta pergunta deve estar gravada na genética humana porque todos os pais a repetem pelo mundo fora, da mesma maneira. E, do outro lado, a pequenina resposta não varia muito. Será que o resultado reside na forma como fazemos a pergunta?
    Se me perguntarem como foi o trabalho, a minha reposta automática é um “Foi bommm”, arrastado com uma pitada de “…Que pergunta tão chata!…”. Parece que está gravado no meu cérebro responder aborrecidamente, mesmo que o dia tenha sido espectacular.
    Então comecei a pensar de que forma poderia alterar a pergunta. Talvez até fazer várias perguntas para tornar uma situação chata numa divertida e, acima de tudo, esclarecedora para mim.

    Aqui vão algumas das perguntas que faço ao pequeno catita:

    1 – Qual foi a coisa mais super divertida que te fez rir até doer a barriga que te aconteceu hoje?
    2 – Qual foi a coisa mais espectacular que aprendeste hoje?
    3 – Qual foi a coisa mais difícil que tiveste de fazer hoje?
    4 – O que foi que fizeste hoje que não gostavas de fazer outra vez?
    5 – Qual foi a comida mais saborosa que comeste hoje? E a mais horrível?
    6 – Se amanhã fosses tu o professor, o que fazias?
    7- Se tu fosses um cãozinho da Patrulha Pata, qual serias? E que meninos da tua escola fariam parte da tua patrulha?
    8 – Se fosses fazer um passeio com os teus colegas da escola, quem levavas na camioneta e onde iam todos passear? Quem ia sentado mesmo ao teu lado?
    9 – Se a tua professora fosse um desenho animado, que desenho animado seria?
    10 – Quem é a pessoa mais divertida da tua sala?
    11 – Imagina que o teu dia começava de novo, como quando andamos com os desenhos para trás, o que mudavas na história?

    Experimentem, inventem e divirtam-se com os vossos filhos. Se estiverem divertidos as vossas perguntas vão ser respondidas com um entusiasmo diferente e, pelo caminho vão conhecendo cada dia melhor os vossos pequenos miúdos catitas.

     

    PASSATEMPO MUITO CATITA
    1 – Faz like da página da Mãe Catita no facebook.
    2 – Pensa como podes fazer a pergunta ao teu filho “Como foi o teu dia?”, de forma a teres maior feedback.
    3 – Escreve a tua pergunta na caixa de comentários deste post na página da Mãe Catita e faz tag de dois amigos.
    4 – Faz share do post na tua página pessoal. E já está!
    O passatempo é válido até 26 de Setembro. O autor da pergunta mais consciente vai ter uma conversa com a Mãe Catita onde pode colocar as suas dúvidas e perceber melhor o que é isto da Parentalidade Consciente. O resultado vai ser divulgado na primeira semana de Outubro. Boas perguntas e divirtam-se!

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    PINTAR DENTRO DOS CONTORNOS É QUE É NORMAL

    Tinha o pequeno catita 4 anos acabadinhos de fazer quando a educadora, cheia de boa vontade, chamou-me à parte com um ar preocupado e disse: “Ele quando desenha nunca faz contornos. E quando lhe pergunto porquê ele diz que o desenho é isto tudo”, apontando para lá da folha de papel. Eu fiquei feliz, ela ficou preocupada.

    Pensei que era maravilhoso ele não limitar a sua imaginação e sentir que as coisas vão muito para além dos limites que lhes queremos colocar. Ele estava a descobrir uma visão única e especial do mundo e isso era uma ótima ferramenta para usar pela sua vida fora.

    Se pensarmos bem, as grandes descobertas só são feitas quando olhamos para o mesmo problema de um ângulo diferente. Ou quando vemos o problema como um ponto de partida e não um problema. Se olharmos todos da mesma maneira para a mesma coisa, vamos sempre ver o mesmo e a humanidade não evolui.

    Muitas das características únicas do teu filho, que hoje não “encaixam” nas tabelas de excel, vão ser as mesmas que o vão tornar um profissional único, com uma visão inovadora e verdadeiramente pioneira.

    O miúdo teimoso.. torna-se um adulto que não desiste. A miúda que questiona tudo…torna-se uma cientista quântica. A criança que não faz contornos… torna-se um adulto que não constrói barreiras e percebe que a humanidade, afinal, “é isto tudo”.

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    TIME-OUTS PARA PAIS ENROLADOS

    Sabem quando estamos embrenhados numa dinâmica com o nosso filho que cada um puxa para um lado mas o fio tem vários nós e quanto mais puxamos mais difícil fica de desenrolar a situação? Ontem foi assim.

    Era tarde, muito tarde e eu tinha tanto sono… e o pequeno catita também. Estávamos os dois exaustos e sem capacidade anímica para sermos tolerantes, pacientes ou fofinhos. Puxávamos teimosamente a nossa ponta do fio, cada vez mais convictos que a minha ponta é que era a certa há uns bons 15 minutos quando decidi fazer um intervalo. Se o teu filho fica em segurança, nestas situações de enrolamento profundo dá-te 5 minutos. Vai lavar a cara, vai comer chocolate preto, respira como se fosses fazer mergulho ou seja lá o que for que faz reset ao teu sistema. O chocolate preto é sempre uma opção catita para mim aliado a três respirações bem profundas.

    Posto isto, já com o nível de açúcar recuperado voltei à cena. Consegui com presença, olhar para a situação como um observador e ver que aquilo não nos estava a levar a lado nenhum. Larguei o meu “tenho razão” e disse Sabes estou mesmo cansada e percebi que quando estou mesmo cansada fico mais irritada e sem paciência, desculpa.”

    Ele parou e ficou a olhar para mim. É engraçado quando deixamos de alimentar aquela dinâmica ela perde imediatamente a força.

    “Eu também estou cansado, dói-me as pernas por isso não queria vestir o pijama.” Disse o pequeno catita.

    “Então e se eu te ajudasse? Depois levo-te ao colo para a cama para não fazeres força nas pernas, achas boa ideia?”

    “Tá bemmmmmmm”. Enquanto o levava ao colo para a cama sentia os restantes nós a desenrolarem-se e os seus pequeninos braços a enrolarem-se carinhosamente à volta do meu pescoço.

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    FAZER MENOS PARA SER MAIS

    Que brinquedo queres levar para o fim de semana?” – perguntei ao pequeno catita.

    “Nada. Quero levar-te a ti”.– respondeu como se fosse completamente óbvio.

    Ir sem adereços, não é nada óbvio. Quando vamos, levamos “fazeres” connosco. Uma bola para jogar, umas bolinhas de sabão, um jogo de tabuleiro, umas canetas para fazer um desenho. Um saco de coisas para fazer. Todos os adultos andam com um. Pode não ser visível, mas todos carregamos o nosso saco de fazeres. Quando temos um momento de espera, na paragem do autocarro, no restaurante enquanto a amiga não aparece ou noutro milésimo de segundo de espera, tiramos o saco cá para fora. “Vou mandar este email… deixa-me ver o facebook…organizar as moedas da carteira por ano de emissão…deixa ver o tempo para o fim de semana…”

    Raramente somos só nós. Raramente estamos connosco. Raramente somos mas a todo o momento fazemos. Os nossos filhos sentem esta velocidade, eles apanham este ritmo furioso de vida, este aceleramento não sei para aonde. Esta urgência constante.

    Nada. É importante os nossos filhos terem momentos de nada para fazer. Nada de nada. Terem a oportunidade única de estarem consigo mesmos. Se estão sempre no fazer, como podem ouvir o silêncio? Se estão sempre no fazer como podem ter a oportunidade de ficarem aborrecidos, entediados e depois descobrirem que a sua imaginação não tem fim e que tudo à sua volta pode ser uma aventura? Se não tiverem quietude como podem ouvir a criatividade? Se não houver um vazio como pode entrar algo novo?

    Vamos pais, vamos fazer nada juntos.

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