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Presença Plena

    O GENEROSO MIÚDO QUE NÃO SABIA PARTILHAR

    No fim da rua da casa dos meus pais existem arbustos e arbustos de amoras deliciosas. Todos os verões descemos a rua e vamos apanhá-las. É um ritual catita e delicioso. O pequeno catita A-D-O-R-A amoras! Adora mais do que o seu brinquedo preferido. Adora mais do que comer gelados de morango ou brincar com os carros da Patrulha Pata. As amoras são um assunto muito delicado para ele. Mesmo.
    Certo dia, desceu a rua com os meus pais sorridente a caminho das amoras e subiu a rua a chorar e zangado ao melhor estilo de manga japonesa, com gotas enormes a sair dos olhos.
    A avó explicava: “Ele não sabe partilhar. Não pode ser assim. Temos de dividir o que temos por todos.”
    Nestes casos bicudos, tenho uma técnica para tentar perceber o que o pequeno catita pode estar a sentir: finjo que estão a falar comigo em russo (que não percebo uma única palavra) e tento perceber o que sinto. Ora bem, sou pequenina, tenho 5 anos e um saquinho de amoras na mão. Chega a avó e diz “natrivuska patrtilhintis trimiii amokris” e tira-me “as MINHAS” amoras. Ou seja, partilhar é tirar as coisas dos outros, certo?
    Fui falar com o pequeno catita. “Podemos falar?” (sentei-me ao lado dele com o olhar à mesma altura do dele) “Hum, estás mesmo triste, o que aconteceu?”
    “As amoras são deliciosas, por isso são só para mim. Não quero dar a ninguém. São minhas. Só minhas!” 

    Partilhar aprende-se, como se aprende a nadar. Temos de ir devagarinho, respeitar os nossos tempos e arriscar fora da nossa zona de conforto cada dia mais um bocadinho. Acima de tudo, temos de confiar no que sentimos. Partilhar deve ser de coração e não uma atitude para agradar os outros e sermos “meninos bonzinhos”. Deve ser algo que nos preenche e não que nos tira alguma coisa e implica sofrimento ao nível de arrancar um dente.
    Partilhar é importante, trabalha a nossa confiança na vida, na abundância de tudo o que nos rodeia. Trabalha o desapego pelas coisas materiais que é muito importante na nossa felicidade. E, ainda por cima faz bem à saúde como já comprovaram vários estudos.
    O pequeno catita não sabia o que era partilhar. Não tinha ainda presente esse conceito. O que não era bom nem mau, apenas era assim. Pensei um pouco sobre o que é “partilhar” e cheguei à conclusão que nós como adultos na verdade não partilhamos grande coisa. Pelo contrário, a maior parte das pessoas passa o dia cheio de “minhas” e “meus”. É um pouco estranho exigirmos isso dos nossos filhos, não? E a forma como o fazemos ao chegar ao pé deles exigindo que partilhem algo que lhes pertence? Como te sentirias se chegasse alguém ao pé de ti enquanto estavas a entrar no teu carro exigindo com uma voz zangada: “Dá cá as chaves! Tens de partilhar! Empresta já o teu carro a esta pessoa que não conheces de lado nenhum! És mesmo egoísta.”
    A melhor forma de ensinar a partilhar é partilhar. É ser o exemplo, é viver com generosidade. Respeitar a criança e dar-lhe tempo para ela não identificar as coisas como parte “dela” mas como apenas coisas. É inspirar o nosso filho a ser generoso com a nossa generosidade.

    Comecei por lhe mostrar como em certas situações dividir é maravilhoso. Cá em casa temos a tradição do “iogurte pai-filho” , um iogurte XL que o pai e o filho catita dividem alegremente à colherada. Mostrei-lhe que se fosse apenas o “iogurte filho-filho”, não teria metade da piada.
    E nas festas de anos? Se o bolo e a festa fossem só para ele não teria graça nenhuma. Comia mais bolo mas não tinha ninguém para partilhar a alegria.
    Um dia, enquanto comia o seu gelado-mais-que-especial naturalmente deu-me uma colherzinha para eu provar. Começou aos poucos a dar-me uma amora ou outra e a dividir as suas coisas preferidas sem ninguém lhe pedir. Inventou também o “pão-com-manteiga-avô-neto” para lanches especiais.
    No outro dia disse-me: “Mamã, já sei o que é partilhar… é quando o coração fica grande.”
    Foi assim, amora a amora que o generoso miúdo aprendeu a partilhar.

     

    Escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids.

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    COMO PERGUNTAR COMO FOI A ESCOLA E NÃO LEVAR COM UMA RESPOSTA MONOSSILÁBICA

    A escola vai começar. Para além de um regresso à rotina, regressa a pergunta diária: “Então, como foi a escola?”.  Sempre seguida da resposta curta e nada esclarecedora, comparada com o discurso pormenorizado e altamente descritivo que estávamos à espera.
    Esta pergunta deve estar gravada na genética humana porque todos os pais a repetem pelo mundo fora, da mesma maneira. E, do outro lado, a pequenina resposta não varia muito. Será que o resultado reside na forma como fazemos a pergunta?
    Se me perguntarem como foi o trabalho, a minha reposta automática é um “Foi bommm”, arrastado com uma pitada de “…Que pergunta tão chata!…”. Parece que está gravado no meu cérebro responder aborrecidamente, mesmo que o dia tenha sido espectacular.
    Então comecei a pensar de que forma poderia alterar a pergunta. Talvez até fazer várias perguntas para tornar uma situação chata numa divertida e, acima de tudo, esclarecedora para mim.

    Aqui vão algumas das perguntas que faço ao pequeno catita:

    1 – Qual foi a coisa mais super divertida que te fez rir até doer a barriga que te aconteceu hoje?
    2 – Qual foi a coisa mais espectacular que aprendeste hoje?
    3 – Qual foi a coisa mais difícil que tiveste de fazer hoje?
    4 – O que foi que fizeste hoje que não gostavas de fazer outra vez?
    5 – Qual foi a comida mais saborosa que comeste hoje? E a mais horrível?
    6 – Se amanhã fosses tu o professor, o que fazias?
    7- Se tu fosses um cãozinho da Patrulha Pata, qual serias? E que meninos da tua escola fariam parte da tua patrulha?
    8 – Se fosses fazer um passeio com os teus colegas da escola, quem levavas na camioneta e onde iam todos passear? Quem ia sentado mesmo ao teu lado?
    9 – Se a tua professora fosse um desenho animado, que desenho animado seria?
    10 – Quem é a pessoa mais divertida da tua sala?
    11 – Imagina que o teu dia começava de novo, como quando andamos com os desenhos para trás, o que mudavas na história?

    Experimentem, inventem e divirtam-se com os vossos filhos. Se estiverem divertidos as vossas perguntas vão ser respondidas com um entusiasmo diferente e, pelo caminho vão conhecendo cada dia melhor os vossos pequenos miúdos catitas.

     

    PASSATEMPO MUITO CATITA
    1 – Faz like da página da Mãe Catita no facebook.
    2 – Pensa como podes fazer a pergunta ao teu filho “Como foi o teu dia?”, de forma a teres maior feedback.
    3 – Escreve a tua pergunta na caixa de comentários deste post na página da Mãe Catita e faz tag de dois amigos.
    4 – Faz share do post na tua página pessoal. E já está!
    O passatempo é válido até 26 de Setembro. O autor da pergunta mais consciente vai ter uma conversa com a Mãe Catita onde pode colocar as suas dúvidas e perceber melhor o que é isto da Parentalidade Consciente. O resultado vai ser divulgado na primeira semana de Outubro. Boas perguntas e divirtam-se!

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    PINTAR DENTRO DOS CONTORNOS É QUE É NORMAL

    Tinha o pequeno catita 4 anos acabadinhos de fazer quando a educadora, cheia de boa vontade, chamou-me à parte com um ar preocupado e disse: “Ele quando desenha nunca faz contornos. E quando lhe pergunto porquê ele diz que o desenho é isto tudo”, apontando para lá da folha de papel. Eu fiquei feliz, ela ficou preocupada.

    Pensei que era maravilhoso ele não limitar a sua imaginação e sentir que as coisas vão muito para além dos limites que lhes queremos colocar. Ele estava a descobrir uma visão única e especial do mundo e isso era uma ótima ferramenta para usar pela sua vida fora.

    Se pensarmos bem, as grandes descobertas só são feitas quando olhamos para o mesmo problema de um ângulo diferente. Ou quando vemos o problema como um ponto de partida e não um problema. Se olharmos todos da mesma maneira para a mesma coisa, vamos sempre ver o mesmo e a humanidade não evolui.

    Muitas das características únicas do teu filho, que hoje não “encaixam” nas tabelas de excel, vão ser as mesmas que o vão tornar um profissional único, com uma visão inovadora e verdadeiramente pioneira.

    O miúdo teimoso.. torna-se um adulto que não desiste. A miúda que questiona tudo…torna-se uma cientista quântica. A criança que não faz contornos… torna-se um adulto que não constrói barreiras e percebe que a humanidade, afinal, “é isto tudo”.

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    TIME-OUTS PARA PAIS ENROLADOS

    Sabem quando estamos embrenhados numa dinâmica com o nosso filho que cada um puxa para um lado mas o fio tem vários nós e quanto mais puxamos mais difícil fica de desenrolar a situação? Ontem foi assim.

    Era tarde, muito tarde e eu tinha tanto sono… e o pequeno catita também. Estávamos os dois exaustos e sem capacidade anímica para sermos tolerantes, pacientes ou fofinhos. Puxávamos teimosamente a nossa ponta do fio, cada vez mais convictos que a minha ponta é que era a certa há uns bons 15 minutos quando decidi fazer um intervalo. Se o teu filho fica em segurança, nestas situações de enrolamento profundo dá-te 5 minutos. Vai lavar a cara, vai comer chocolate preto, respira como se fosses fazer mergulho ou seja lá o que for que faz reset ao teu sistema. O chocolate preto é sempre uma opção catita para mim aliado a três respirações bem profundas.

    Posto isto, já com o nível de açúcar recuperado voltei à cena. Consegui com presença, olhar para a situação como um observador e ver que aquilo não nos estava a levar a lado nenhum. Larguei o meu “tenho razão” e disse Sabes estou mesmo cansada e percebi que quando estou mesmo cansada fico mais irritada e sem paciência, desculpa.”

    Ele parou e ficou a olhar para mim. É engraçado quando deixamos de alimentar aquela dinâmica ela perde imediatamente a força.

    “Eu também estou cansado, dói-me as pernas por isso não queria vestir o pijama.” Disse o pequeno catita.

    “Então e se eu te ajudasse? Depois levo-te ao colo para a cama para não fazeres força nas pernas, achas boa ideia?”

    “Tá bemmmmmmm”. Enquanto o levava ao colo para a cama sentia os restantes nós a desenrolarem-se e os seus pequeninos braços a enrolarem-se carinhosamente à volta do meu pescoço.

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    FAZER MENOS PARA SER MAIS

    Que brinquedo queres levar para o fim de semana?” – perguntei ao pequeno catita.

    “Nada. Quero levar-te a ti”.– respondeu como se fosse completamente óbvio.

    Ir sem adereços, não é nada óbvio. Quando vamos, levamos “fazeres” connosco. Uma bola para jogar, umas bolinhas de sabão, um jogo de tabuleiro, umas canetas para fazer um desenho. Um saco de coisas para fazer. Todos os adultos andam com um. Pode não ser visível, mas todos carregamos o nosso saco de fazeres. Quando temos um momento de espera, na paragem do autocarro, no restaurante enquanto a amiga não aparece ou noutro milésimo de segundo de espera, tiramos o saco cá para fora. “Vou mandar este email… deixa-me ver o facebook…organizar as moedas da carteira por ano de emissão…deixa ver o tempo para o fim de semana…”

    Raramente somos só nós. Raramente estamos connosco. Raramente somos mas a todo o momento fazemos. Os nossos filhos sentem esta velocidade, eles apanham este ritmo furioso de vida, este aceleramento não sei para aonde. Esta urgência constante.

    Nada. É importante os nossos filhos terem momentos de nada para fazer. Nada de nada. Terem a oportunidade única de estarem consigo mesmos. Se estão sempre no fazer, como podem ouvir o silêncio? Se estão sempre no fazer como podem ter a oportunidade de ficarem aborrecidos, entediados e depois descobrirem que a sua imaginação não tem fim e que tudo à sua volta pode ser uma aventura? Se não tiverem quietude como podem ouvir a criatividade? Se não houver um vazio como pode entrar algo novo?

    Vamos pais, vamos fazer nada juntos.

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    O FABULOSO MENINO QUE NUNCA TINHA SONO NOS OLHOS

    Miúdo catita, 4 anos tem pilhas duracel depois das 20h30. É só mais uma banana, ou uma compota… não, não, na verdade o que ele tem é sede. Mais um xixi ou dois.. agora caía mesmo bem um copo de leite. Remata com uma demonstração de ginástica, um pequeno verso e tarefas infindáveis porque não tem sono nos olhos. “Ó mamã deita aqui que eu tenho frio nos pés.” Ufa. “Tenho fome na barriga assim não consigo dormir.” Ufa. Tenho só de ir fazer ali uma coisa.” Ufa. Ufa.

    Muitas vezes adormecemos ao lado dele, depois de longas, muito longas conversas. Tentamos tudo e mais alguma coisa, até que fica demasiado tarde e de manhã o menino tem sono nos olhos e nós também.

    Num momento de respiração profunda, os meus pulmões estavam preparados para fazer mergulho em apneia, comecei por tentar perceber quais as são minhas necessidades que não estão a ser preenchidas e que pensamentos/crenças surgem na minha cabeça enquanto o pequeno catita não adormece. Ora bem, vamos lá. Pensamentos é o que eu mais tenho por volta da meia noite.

    ”Tenho tanta coisa para fazer ainda, vou deitar-me tardíssimo. Estou tão cansada.” “Ele já devia estar a dormir, já é tão tarde. Isto faz-lhe mal.” ”Ele está a gozar connosco.” “Quantos anos é que ele tem mesmo??”

    Respira Catita.

    Primeiro, decidi perceber o que é mais importante a cada momento; Comecei por definir as tarefas que são prioritárias e as que ficam para amanhã, assim fico bastante mais calma e presente e com menos pensamentos na cabeça. Quando fiquei mais tranquila, percebi pouco a pouco que adoro estar com ele um bocadinho antes de ele dormir. É quando conversamos mais e quando descubro sempre alguma coisa nova acerca dele. É um momento “fixe” de grande conexão em que partilhamos o quanto gostamos um do outro. Vá, é um grande momento em que eu fico toda derretida enquanto ele diz repetidamente “mãe és tão fofinha.” Eu sei, é graxa. Mas sabe mesmo bem.

    Liguei novamente o detective-mamã e percebi como é importante para ele aquele momento de conexão (por isso é que ele não quer que o momento acabe) (necessidades da criança verde segundo método LASEr). Reparei também como gosta de ser ele a definir algumas das rotinas antes de dormir, ter a possibilidade de escolher que pijama veste ou por que ordem as tarefas são realizadas (necessidades da criança vermelha). Precisa de dizer a última palavra, ou neste caso pedir a última banana para comer.

    21h23 depois de ter jantado como um adolescente de 18 anos… 
    “- Mãeeeeee, a minha barriga tem fome preciso de comer 3 coisas. Senão não consigo dormir.

    – Já percebi que ainda tens fome. Mas só tenho uma banana aqui. Mais nada. Queres agora? Ou comes amanhã de manhã?
    – Tá bemmmmmmm” Depois deste lanchinho final, adormeceu. Sentiu que tinha escolhido a forma como iria adormecer, com a barriga cheiinha e as necessidades preenchidas.

    Aos poucos fui percebendo como é importante criar um ritual definido pelos dois, cheio de conexão e reconhecimento para o miúdo catita adormecer feliz e preenchido. É igualmente importante que eu lhe comunique as minhas necessidades e os meus limites através da linguagem pessoal e sem julgamentos. Ou seja, o que eu preciso e sinto.

    “- Gostas muito quando a mamã se deita aqui contigo um bocadinho, não é? Eu também. Fazemos sempre muitas aventuras e aproveito para te dar muitos miminhos.

    – Sim beijinhos e octonautas também.

    – Sabes aquele saquinho que temos e enchemos com beijinhos todos os dias? Quando não estou ao pé de ti, podes sempre ir buscar um beijinho se precisares. A mamã tem de ir tratar de algumas coisas para não se deitar muito tarde. Podíamos encher o saquinho dos beijinhos e enquanto a mamã fazia as suas coisas tinhas aqui os meus beijinhos. O que achas?
    – Sim mas temos de encher muiiito muito o saquinho.
    – Pois é, vamos dar beijinhos até ficar cheio, quando estiver cheio avisas a mamã, boa?
    – Sim!”

    CHUAC CHUAC CHUAC CHUAC CHUAC CHUAC!

    Todos os dias após uma demonstração de exercícios variados e já de barriga cheia, eu ou o pai ficamos deitados com ele na cama durante 10 minutos (há dias que precisam de mais minutos do que outros e há dias em que nada funciona, normalmente quando ele está demasiado cansado e com o sono em atraso).

    Nesse tempo a dois, brincamos aos Octonautas, conversamos ou apenas enchemos o saquinho dos beijinhos. Depois disso, vou tratar de mim e das minhas coisas mas se ele precisar de mim, pode sempre chamar-me. Estou mesmo ali.

    É curioso, quando pensamos melhor, reparamos que mesmo nós pais não nos deitamos todos os dias da mesma maneira. Uns dias precisamos de televisão, outros de um bom livro, outros só queremos cair na cama. E quando vamos para a cama sabe mesmo bem adormecer com alguém que gostamos muito, não é?

    O meu filho pedir para eu ficar ao pé dele não é chato, é um grande reconhecimento da nossa relação. Ele querer só mais um bocadinho da nossa companhia não é desesperante, é fabuloso.

    Sinto-me feliz e até divertida com as desculpas hilariantes que ele inventa e toda a rotina adquiriu uma maior leveza e equilíbrio para os dois.

    E foi assim que devagarinho o sono foi aparecendo nos olhos do meu fabuloso menino.

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    GOSTAR DOS MAUS PODE SER BOM

    Estás a ver o Peter Pan? Qual é o personagem que gostas mais? Perguntava a Avó Catita.

    Gosto de todos. Mas gosto mais do capitão Gancho!

    Mas o Capitão Gancho é mau!  Diz a Avó em choque.

    Eu gosto dos maus!” (acompanhado de sorrisinho malandreco).

    Eu também gosto dos “maus”. Os “maus” balançam as coisas. Arranjam aventuras para os “bons” serem heróis. Ajudam os “bons” a crescer e a ultrapassar as suas limitações. Os “maus” momentos trazem grandes dores de crescimento mas sem elas ficamos para sempre do mesmo tamanho. Às vezes estamos tão prontos para resolver tudo e tornar tudo “bom” para os nossos filhos que os privamos de uma grande prenda, passar por uma situação difícil e aprender com ela. É mesmo difícil assistir e não intervir. Instintivamente só os queremos proteger de tudo e vê-los a sorrir, mas é mesmo importante confiar. Confiar no ser humano que eles são e na sua capacidade de resolver, aprender e crescer. Se eu não deixar o meu filho falhar a entrega de um trabalho como vai ele aprender a responsabilidade? Se ele não se desiludir com um amigo que não era assim tão amigo, como vai aprender a superar uma desilusão?
    Nós não vamos estar sempre lá, em cada momento, em cada segundo da vida deles, eles precisam da sua própria caixa de ferramentas, das suas soluções únicas e dos seus pontos de vista especiais. O meu desafio é deixá-lo ter um mau momento e estar presente e disponível se ele precisar de mim. Estar lá num momento mau é bom. Estar ali e confiar enquanto ele cresce com os passos que ele decide dar pelo caminho que ele vai fazendo. É ensiná-lo a aceitar a Vida tal como ela é, com muitas oportunidades e desafios, com muitos Peter Pans e Capitães Gancho.

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