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    ERRAR É CATITA

    Sempre fui muito exigente comigo e com os outros. Ensinaram-me desde cedo que o erro era algo negativo e a evitar. Algo para fugir a sete pés.

    Este facto era reforçado na escola quando num teste marcavam a vermelho, com redobrada determinação, o que estava errado. Apenas o que estava errado era notado. Éramos levados a acreditar que nós somos o último erro que cometemos.  

    As estratégias passavam por fazer TUDO para evitar errar, (como se isso fosse possível). Durante muitos anos, enquanto crescia, era esse o meu foco. Essa era a base do ensino e da educação, tal como hoje ainda é. 

    Quando escolhi mudar a minha relação com o erro, decidi inscrever-me numa aula onde certamente iria ser uma das PIORES alunas da turma. Inscrevi-me na dança do ventre, para enfrentar os meus erros de frente e com jogo de cintura.

    Todos para a direita… e a Joana para a esquerda. Todos para a esquerda… onde é que está a Joana??? Nunca me diverti tanto. Nunca errei tanto. Nunca aprendi tanto.

    Foram anos incríveis de aprendizagem sobre mim, sobre os meus limites, auto-julgamentos e sobre a importância que dava aos julgamentos dos outros.

    Hoje vejo o erro com outros olhos. Aprendo com ele. Cresço com ele. Noto o que tenho de treinar mais, o que tenho de organizar mais, o que tenho de largar mais, o que tenho de fazer de forma diferente.

    Os erros fazem-nos crescer, se os deixarmos. Mas essa aprendizagem só é possível, se formos gentis enquanto crescemos, tal como fomos com os nossos filhos enquanto aprendiam a dar os seus primeiros passos. 

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    FRASE CATITA

    Muitas vezes utilizamos os rótulos com a intenção de motivar as crianças a desenvolverem as suas capacidades. Aos preguiçosos, desejamos responsabilidade e dedicação. Aos distraídos, queremos inspirar uma vaga de concentração. Aos teimosos, queremos ensinar jogo de cintura.
    Sabes, a criança acredita no rótulo que lhe é dado. Sem filtros. Veste-o inconscientemente como se fosse um papel que tem de representar toda a vida. Quanto mais força este ganha, mais a criança vai ter exactamente o comportamento que queremos ajudá-la a ultrapassar. E quando isso acontece, a nossa necessidade de utilizar um GRANDE rótulo surge ainda com maior intensidade.
    Experimenta focares a tua atenção em ajudares o teu filho a ter ferramentas para ser responsável, dedicado, flexível, e atento. Experimenta ajudá-lo a colocar a sua energia nos seus pontos positivos, e a notar com compaixão o que tem de treinar mais um bocadinho. Experimenta olhar para ele com curiosidade e aceitação…
    Em vez de o deixares crescer com um rótulo que lhe pesa e limita, experimenta abrir-lhe as portas para todo o seu potencial.

     

    Mais sobre rótulos e como acabar com deles AQUI.
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    O Segredo para um Futuro com qualidade(s)

    Certas qualidades dos nossos filhos que tornam a nossa vida de pais muito mais “desafiante”, são qualidades essenciais a ter na idade adulta. Se as abafamos quando eles estão a crescer, como podemos esperar que as tenham mais tarde?

    Como pai, posso ajudá-los a serem assertivos e não agressivos na comunicação. A serem independentes e com relações sólidas à sua volta. E, a terem uma grande força de vontade com teimosia qb, aliada ao pensamento crítico e à autoconsciência.
    Dia 31 de Março em Lisboa, aprende como fazer tudo isto no curso da Mãe Catita “O Grande Segredo do Comportamento”.
    Mais informações em maecatita@gmail.com  Até lá pais catitas! ❤️

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    FRASE CATITA

     

    “Calma Mãeeeee. Não dizes sempre que com calma, as coisas resolvem-se mais depressa???” É nesta que sou apanhada mais vezes… Principalmente quando estou a tentar fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo. As crianças estão sempre muito atentas quando nós fazemos exactamente o contrário do que lhes queremos ensinar. Parece que têm uma App interna sempre ligada, chamada “Apanhador de pais”.
    Quando sou apanhada, agradeço. Significa que estava a desviar-me do que é importante para mim, que o meu exemplo não estava a ser lá um grande exemplo e que não estava alinhado com as minhas intenções como mãe. Para mim, todas as situações são oportunidades de crescimento para os dois lados, e quando erro aproveito para mostrar que não sou perfeita (nem quero ser) e que com treino conseguimos ir mais longe nas nossas capacidades.
    O pequeno catita uma vez disse que todos temos um saco da paciência. Os sacos são de diferentes tamanhos, nas diferentes pessoas. Para ele, há pessoas que gritam logo porque os seus sacos são muuuito pequeninos, e outras têm sacos enormes e por isso conseguem fazer tudo com mais calma.
    “Obrigada por me avisares. Já vi que tenho de treinar mais para aumentar o meu saco da paciência. Como achas que posso fazer isso?” Assim, para além de reconhecer a importância da sua atenção e opinião, estou a ajudá-lo a encontrar novas formas de trabalhar a sua paciência, enquanto reforço a sua autoestima. Bem catita, não é?

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    FRASE CATITA

    OUVIR. Ao contrário do que muitos pensam, ouvir é um processo altamente produtivo, activo e importante numa relação. Bem mais importante do que falar, ou ter razão. Se não ouvimos pontos de vista diferentes dos nossos, não aprendemos. Se não nos ouvimos, não cuidamos de nós. Se não ouvimos os nossos filhos, eles não aprendem a ouvir. Se não ouvimos os nossos filhos, eles não aprendem que podem contar connosco para os ouvir.

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    TREINAR A NOSSA VOZ INTERIOR

    Se há situação em que notamos logo como é a nossa voz interior, é quando “queremos” ir ao ginásio, mas na verdade não queremos. No meio dos “vou mais ao fim do dia”, “2019 é que vai ser”, “amanhã é que há uma aula boa” e o “hoje está demasiado frio”, o nosso mindset está em “tenho de ir ao ginásio”. Quando não vou, sinto-me mal comigo própria, o que resulta em ainda menos idas ao ginásio. O “tenho de ir” tem a carga da obrigação e da falta de opção, o que despoleta uma falta de envolvimento da nossa parte. Parece que alguma força exterior me está a obrigar a fazer algo que não quero, o que também nos leva inconscientemente à procura do culpado. A nossa atribuição de culpa soa mais ou menos a isto “Tenho de ir ao ginásio porque fartei-me de comer no Natal!”, “Tenho de ir arrumar a casa porque vou ter cá um jantar mais logo”, “Tenho de ir às compras porque o meu filho come que se farta”. Isto faz com que ao executar qualquer uma destas tarefas, seja bastante difícil encontrar a mínima alegria no processo. Sentimo-nos à mercê de tudo o que temos para fazer, sem a mínima escolha.
    Quando trocamos o “eu tenho de ir” por “eu escolho ir”, esse poder e responsabilidade são-nos devolvidos. O nosso envolvimento cresce, e a nossa vontade também. Mesmo que ao princípio pareça um pouco estranho, quanto mais treinares mais habitual e natural fica o processo. É um clássico e poderoso “Fake it until you make it”.
    “AH! Mas eu não escolho ir às compras. Se eu não for o que é que se come cá em casa?” Todas as escolhas têm consequências. Se eu não comprar a comida, de facto ela não aparece. Quer dizer pode sempre aparecer uma pizza com a morada errada… mas há várias formas de comprar. Posso comprar online ou comprar no dia seguinte, e fazer o jantar com o que há em casa. Posso fazer jejum intermitente, ou acabar com todos os restos perdidos no frigorífico. Na verdade, tenho escolha entre várias hipóteses quando escolho ir às compras, apenas no momento não estou a tomar consciência das outras opções.
    Esta mudança na forma de verbalizar e ver as situações, deve ser passada aos nossos filhos desde cedo. Uma abertura de enquadramento e tomada de consciência das opções escondidas, que é a forma de os ensinar a terem um papel activo nas suas vidas. A envolverem-se, a importarem-se, a tomarem responsabilidade, a encontrarem novas soluções, a desenvolverem o seu potencial. Ensina-os a terem uma voz interior que os apoia, e uma autoestima saudável cheia de jogo de cintura.
    Ao encontrarmos o poder da escolha em nós, a nossa motivação dispara. Imediatamente. Por exemplo, eu hoje já com o saco da ginástica à porta disse para mim “Eu escolho ir ao ginásio”. Aí percebi que também me apeteciam igualmente outras opções: fazer yoga na sala, fazer uma caminhada para apanhar este sol de Inverno catita, ou fazer nada no sofá. Mas quando acrescentei “Eu escolho ir ao ginásio… para tomar banho SOZINHA sem ouvir ó mãeeeeeeee!”, peguei no saco, imediatamente, e saí a correr de casa altamente motivada.

     

    Artigo escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids
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