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Confiança

    ACEITAR

    Aceitar. Quando aceitamos onde a criança está em determinado momento, e não onde deveria estar. Quando aceitamos, sem comparar com onde as outras estão, damos início a um enorme processo de conexão e mudança. Primeiro em nós… e depois neles.
    Todos temos tempos diferentes, velocidades diferentes, e caminhos diferentes. Como pais, estamos lá para mostrar que vemos o melhor neles, principalmente quando eles não conseguem fazê-lo.
    Estamos lá para refletir o amor que eles têm dificuldade em sentir, quando têm dias difíceis.
    Estamos lá para os lembrar que independentemente da parte do caminho onde se encontram, encontram-nos sempre, a caminhar a seu lado. Estamos lá, exactamente onde eles estão.❤️

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    QUANDO DO NADA ELES DIZEM TUDO

    Se há coisa que desafia a força de vontade de uma mãe, é levar os pequenos à natação. TODAS as semanas.
    Voar do trabalho para chegar a horas com mudas de roupa, chinelos, toucas, óculos e comida pós-piscina reforçada na mochila. Aterrar num ambiente tropical que limpa todos os poros, e nos cozinha lentamente a vapor (quem usa óculos deve ser ainda mais divertido).
    As mangas encharcadas enquanto tentamos ajustar a temperatura da água do duche. Ou, se os balneários têm temporizador, enquanto carregamos de 5 em 5 minutos na torneira tornando TUDO mais emocionante. Os nossos sapatos com as clássicas proteções azuis, estilo Anatomia de Grey, sempre à mercê de uma duchada mais forte.
    Mas, a maravilha de os ver aprender a nadar, a partir do nada, desperta o sorriso de qualquer mãe transpirada.
    O pequeno catita está aprender a nadar. Depois de treinar separadamente os braços e as pernas de crawl, chegou o dia de os juntar. Reparei como estava a ser um desafio para ele, como às vezes abrandava para tentar coordenar tudo. Como estava cansado. Notei como estava a dar o seu melhor, como em cada pista que fazia, evoluía mais um bocadinho. Reparei como cada vez que fazia uma volta, saía da água com um sorriso enorme na cara.
    O que eu estava a ver, estava a ser comentado pela professora de forma diferente “Asneira! Estás distraído! Concentra-te! És muito distraído!” , “Olha para os teus colegas!”.
    No meio daquele bafo tropical, do desconforto e cansaço, é mais fácil sentirmo-nos reactivos, críticos e pouco tolerantes. Os comentários aumentavam, grau a grau, a minha temperatura interna.
    Quando a aula acabou, como sempre, falei com o pequeno catita do que notei que ele tinha conquistado, e como parecia feliz e realizado. Perguntei-lhe, também, como se tinha sentido perante os comentários e rótulos atirados pela professora entre braçadas. “Mãe, as pessoas não são perfeitas. Há coisas que conseguem fazer melhor… a professora explica bem os exercícios. Há coisas que ela ainda tem de aprender. “
    Quando os pais se questionam “Como é que eu sei que estou a fazer um bom trabalho?”. Confia, dá tempo e vais ver. Quando menos esperares, do nada, o teu pequeno catita vai surpreender.

     

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    CONTAR A NOSSA HISTÓRIA CONTA MUITO!

    No dia 16, eu e o pai catita fizemos 10 anos de namoro. Para comemorar a data decidimos criar um painel da história da nossa família.

    O pequeno catita, como qualquer outra criança, tem uma grande necessidade em saber de onde veio, o que o ajuda a definir para onde vai.

    Ele delira com as histórias do “quando eu tinha a tua idade…”, com as espatifadelas do mini-pai catita mais-arranhão-menos-arranhão na sua bicicleta, com as aventuras da mini-mãe nas aulas de ciências. Com todos os medos e desafios que cada um enfrentou, tão semelhantes aos que agora ele está a viver.

    “No meu tempo não havia televisão. Tu tens é muita sorte!” não conta como história construtiva e inspiradora. Só os pormenores, as personagens tão conhecidas, os problemas, aprendizagens e as emoções experienciadas constroem a riqueza e profundidade da mensagem.

    Contar histórias de família tem inúmeros benefícios. Ajudam as crianças a fazerem relatos mais ricos e pormenorizados do seu dia a dia, a compreenderem e identificarem os pensamentos e as emoções do outro lado, favorecem o crescimento de uma autoestima saudável, e de uma noção mais forte do seu “eu”. As suas identidades ficam mais definidas, resultando numa maior resiliência e capacidade de lidar com os desafios da vida.

    Estas histórias criam fios invisíveis que ligam a criança a todos aqueles que são importantes na sua vida, criando uma rede robusta onde a criança se sente amparada e protegida.

    O painel chegou a semana passada, e o pequeno catita não conseguia tirar os olhos dele. De certa forma lembrou-me o poder hipnotizante das pinturas rupestres, ou dos hieróglifos do Egito. Desde sempre que os seres humanos se juntam para passar histórias de geração em geração. A nossa estava impressa em PVC, e era mais na onda da banda desenhada, mas o poder da história era claramente visível nos seus pequenos olhos fascinados.

    “Ó Mãe e aqui? Foi onde conheceste o pai?” Apontava entusiasmado com o seu dedinho para o desenho do primeiro encontro.

    Contámos várias vezes cada episódio. VÁRIAS, várias vezes…

    No pedido em casamento no Japão, ele descobriu que a mãe tem dificuldade em responder rapidamente a perguntas difíceis, daquelas que podem mudar a vida de uma pessoa. Desde aí, responde “vou pensar um bocadinho” antes de responder a perguntas que ele acha que merecem o seu tempo.

    Descobriu que a mesma música que ainda hoje cantamos para ele, era a música que o embalava ainda estava ele na minha barriga, o genérico do “Conan, o rapaz do futuro” (o pai catita tem uma “ligeiríssima” adoração pelo Japão).

    Apercebeu-se que gostar de uma pessoa é crescer com ela, e isso leva tempo, como todas as coisas que valem mesmo a pena.

    E descobriu que a vida dele é uma enorme tela, onde vão nascer muitas memórias maravilhosas que um dia ele também vai contar a alguém, muitas e MUITAS vezes.

     

    Artigo escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids
    
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    REGRAS PARA SER FELIZ

    Finalmente chegou o dia da reunião de família. Fazemos sempre uma, quando temos um assunto importante a tratar ou simplesmente quando nos apetece falar em modo reunião de condomínio catita e votar em qualquer coisa.

    Esta era uma reunião fabulosa-especial, era a reunião onde iriam ser definidas as regras da casa.

    Durante uma semana, cada membro da família, tirando o gato, tinha de pensar em duas regras importantes para a felicidade e bem-estar da nossa família. Estas seriam depois apresentadas e votadas na reunião pelos restantes membros. Após a reunião, seriam afixadas com lugar de destaque no frigorífico as “Regras da Casa Catita”.

    O pequeno catita, em grande euforia, apresentava as suas duas propostas a serem votadas. “Número 1: Não nos podemos magoar uns aos outros, no corpo nem no coração.” Fiquei um bocado atrapalhada-feliz com aquela primeira regra, ao pé das minhas a dele era muito mais madura e profunda. Tinha tantos níveis implícitos do que tentamos, apesar dos mais variados trambolhões, respeitar nele e em nós… Tinha empatia, cuidado com o outro, noção de que o coração se magoa tanto ou mais do que o corpo… Pensei que em vez de regra da casa, devia era ser regra do Mundo.

    Sem qualquer tipo de dúvida, a regra número 1 foi aprovada por unanimidade!

    “Número 2” gritava entusiasmado “Respeitar o tempo e o trabalho de cada um.” Ora bem, quem és tu e onde está o meu filho?! Os miúdos têm esta característica fabulosa de nos surpreender. Desde sempre que lhe explico como é importante termos o nosso tempo, darmos tempo e respeitarmos os outros no que estão a fazer. Refiro a importância de passarmos tempo sozinhos, de estarmos na nossa própria companhia, e de fazermos o que nos entusiasma para carregar a nossa pilha interior. Ele parecia não ouvir NADA do que lhe estava a dizer. E do nada, vem a regra número 2 cheia de respeito e consideração pelo outro. Foi neste momento, que pensei em dizer que o gato tinha comido o meu TPC das regras.

    Seguiu-se o pai catita com a regra número 3 “Todos os dias, passar 20 minutos em família.” Não temos todo o tempo do mundo, mas temos aqueles 20 minutos. Até podem ser passados no carro parados no trânsito a fazer coreografias idiotas com as músicas que estão a dar na rádio. Ou a dobrar os lençóis da cama, enquanto o pequeno catita mergulha animado por baixo deles. São 20 minutos em que estamos lá todos, juntos. Totalmente presentes.

    Regra número 4 “Não podemos ir dormir chateados uns com os outros”. Esta regra foi a única que definimos quando eu e o pai catita começámos a viver juntos. Nos dias em que ainda estávamos chateados na hora de dormir era MUITO incómoda, mas é tão importante para os sentimentos e pensamentos enrolados não crescerem dentro de nós como ervas daninhas que, aos poucos, nos separam um do outro. É uma espécie de restart do computador, em vez de levar a noite toda com um murro no estômago e vontade de morder em alguém. Antes de dormir, tínhamos de falar e resolver a situação. Ou pelo menos dar o primeiro passo, ou o primeiro abraço.

    Já eram quatro as regras aprovadas em família. A regra 5, surge de uma antiga e acarinhada tradição cá de casa. “Fazer uma refeição na mesa e uma no sofá, sempre juntos.” Ora na mesa, ora acampados no sofá com tabuleiros. É a nossa versão de pic-nic na sala. O importante é estarmos todos JUNTOS e a conversar!

    Regra número 6 “Contar sempre as coisas como elas aconteceram” . O ano passado, percebi que o pequeno catita não me contava filme todo. Usava uma versão trailer dos acontecimentos com os ingredientes que achava pertinentes e úteis para a sua versão. Para o ajudar a ser mais claro na sua comunicação e versão dos factos, inventei o jogo Contar as coisas como elas aconteceram”, que vai trabalhando de uma forma divertida o primeiro passo da comunicação não-violenta, a observação sem julgamento. Olhar com olhos de polícia para os acontecimentos e, apenas referir o que foi visto e ouvido. Para além do ajudar a ser mais objectivo e verdadeiro, trabalha a naturalidade de nos contar o que se passa na vida dele, criando e fortalecendo o canal de comunicação. Esta regra estendia-se agora a toda a família, por isso os “tu nunca lavas a loiça” echegas sempre atrasado/a” iriam ser substituídos por observações neutras que promovem o diálogo e não o ping-pong de acusações.

    A reunião acabou e todos se sentiam entusiasmados com as novas regras. Nos dias seguintes, perante alguma situação menos consciente, o pequeno catita referia que cá em casa cumprimos as regras, e apontava para o frigorífico. Sabes, quando as crianças se sentem parte do processo a sua vontade de colaborar é gigantesca porque sentem-se vistos, reconhecidos e ouvidos. Sabem que contam, e que nós também contamos com eles e com os seus pequenos dedinhos para nos apontarem o caminho para as regras mais importantes, as regras que nos fazem felizes.

     

    Artigo escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids
    
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    QUANDO AJUDAR NÃO AJUDA

    Era fim do dia e eu estava a ajudar o pequeno catita com os seus trabalhos de matemática da primeira classe. Mesmo no final dos trabalhos, apareceu o desafiante exercício 5 da página 14, enquanto o pequeno catita lutava para chegar ao resultado sozinho, eu mordia a língua para não lhe dar a resposta certa.

    A cada minuto que passava, contorcia-me mais na cadeira. Era tão fácil. Tão óbvio. A solução estava mesmo ali. Só precisava dizer o resultado, e os trabalhos estavam acabados.

    Uma parte de mim gritava para ter razão, para dar a resposta certa e durante 2 segundos ficar ofuscada com o holofote do “eu é que sei”. A outra parte, só queria ficar pacientemente calada, e dar-lhe tempo. Era de tempo e confiança que ele precisava para escrever, apagar, pensar, errar e tentar outra vez. Precisava de sentir que estava tudo bem, que eu confiava nas suas capacidades e que estava ali para o apoiar. Só assim seria possível aprender, descobrir e ganhar confiança em si próprio e nas suas decisões.

    Sabes, sempre me disseram o que fazer, como fazer. Instruções e mais instruções da forma “certa” de viver a Vida. A comida certa, a roupa certa, a decisão adequada. Tudo era feito com muito amor e com as melhores intenções. Oferecido para me proteger e ajudar a ser uma “boa” menina. Mas na verdade, não ajuda nada. Tira-nos a nossa capacidade natural de caminhar pelo nosso pé. Perante qualquer pequena decisão que temos de tomar, sentimos que temos de consultar os pais, os amigos, a ajuda telefónica e meia dúzia de pesquisas no Google. Sentimos que a resposta está sempre fora de nós, e não dentro, o que nos tira um enorme poder e autonomia. Simultaneamente, se não conseguimos decidir, não somos capazes de lidar com decisões erradas. Como a decisão é sempre do outro, excluímos o nosso papel em todo o processo, o que compromete muito a nossa responsabilidade pessoal.

    Ficamos à deriva, à espera da opinião mais acertada, ou da pessoa mais assertiva. E às vezes a pessoa mais assertiva, não está NADA certa.

    Estamos sempre danadinhos para resolver os problemas dos outros. Para nos sentirmos úteis e importantes, necessários e admirados. A maioria das vezes, quando estamos a ouvir os problemas dos outros, disparamos mil e uma soluções milagrosas; “Tu devias…” “Se fosse eu…” “É muito simples…” Parecem ajudar, mas não ajudam. Dizem “tu não és capaz de chegar lá sozinho”. E, quando o dizemos muitas vezes, o outro lado acredita. Aí tem duas opções, ou rende-se, ou revolta-se. Nenhuma delas reforça, de todo, a qualidade da relação entre pais e filhos.

    Eu sei que, tal como eu, amas o teu filho. E também sei, que é tão difícil transformar esse amor num comportamento amoroso para com ele. Há tanto que se mete no caminho… as nossas expectativas, a nossa infância, os nossos medos e os medos que temos em relação ao seu futuro. Os outros, as suas opiniões e olhares críticos. As nossas constantes incertezas de que estamos a fazer a coisa certa… de que estamos a ser “bons” pais.

    Era de tudo isto que eu me estava a aperceber, enquanto mordia a língua e travava a solução do problema de matemática. Apercebia-me de que os processos e as aprendizagens são muito mais importantes do que os resultados. E, que a minha solução pode ser certa para mim, mas não ser certa para o outro. Sou eu que lhe devo dar a possibilidade e a confiança para encontrar a “sua solução”. Sou eu que devo acreditar nele, para que ele possa acreditar também.

    É impressionante como quando estamos disponíveis, podemos com um pequeno exercício da primária, aprender tanto sobre a matemática da Vida.

     

    Artigo escrito originalmente pela Mãe Catita para a Uptokids
    
    

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    FRASE CATITA

    TU conheces o teu filho desde o primeiro momento. Reconheces quando o choro é de fome, ou de cair para o lado de sono. Sabes qual é a sua comida favorita, e a aquela que nem disfarçada entra na boca. Sabes o que o assusta até à ponta dos cabelos, e o que o faz sorrir até à ponta dos dedos dos pés. Sabes como lhe dar colo, e como dar-lhe o espaço que ele precisa. Tu tens o maior, e mais completo manual de parentalidade do teu  filho, dentro de ti. Confia.

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